João um garoto de pouco mais de nove
anos de idade brincava na rua de casa, morava no Morro do Alemão com sua mãe.
Ate aquele momento todos os seus três irmãos tinham virado seres mágicos.
Camila e Carlos eram bruxos, Pedro um vampiro e só João que era normal ainda.
Para ele era legal ver os irmãos voarem de vassoura quando os visitava.
A casa de João era simples tinha
apenas dois cômodos, cozinha e quarto, que dividia espaço com a sala. O
banheiro era pequeno, não tinha requintes, ficava ao lado da cozinha.
João era moreno, tinha a pele clara. O
único que não puxara ao pai, um bruxo nascido em Portugal, que viera para o
Brasil no final dos anos oitenta junto a um grupo de estudiosos, se apaixonara
por Maria a mãe de João, com quem tivera seus quatro filhos. E os deixara
quando viajou para a Inglaterra para ajudar os amigos de escola quando lutou na
Batalha de Hogwarts. Não teve muito o que deixar para os filhos, apenas deixou
uns duzentos galeões no banco, que foram dados aos filhos para comprarem as
coisas da escola, a qual apenas Camila frequentou.
— João, vem cá.
A voz doce de Camila atraiu o garoto
para a casa da mãe, lá dentro estavam Camila e Carlos, ambos conversando com a
mãe.
— Fala Mila.
— João, você ainda não tem nenhum
poder?
O garoto baixou a cabeça e fez que
não.
— Tudo bem, pode ir brincar.
O garoto saiu correndo. Camila olhou
para a mãe, uma mulher de quarenta anos ou mais, vestida com uma regata e um
shorts, coisa comum no clima tropical brasileiro.
— Mãe, eu estou preocupada com o João,
só ele que ainda não apresentou poderes.
— Minina, num era nem procês terem
poder, era pra vocês serem normais. Que nem eu e seu irmão.
Carlos olhou para a mãe chateado. O
homem de barba por fazer vestido para o trabalho numa loja no centro do Rio se
assustou com o que a mãe dissera.
— A senhora acha que a gente é anormal
mãe?
— Num foi o que eu disse.
—Mas foi o que eu entendi. Parece que
a senhora nem gosta da gente.
—Carlinhos, olha bem como você fala
com a mãe, ela ta certa de achar isso estranho. Ela nem sabia do pai ser um
bruxo ate eu entrar na escola.
O clima dentro da casa ficou tenso.
— Bom eu vou indo trabalhar, não posso
me atrasar.
— Tchau meu filho. Se cuida.
— Tchau mãe. Tchau Mila.
— Tchau Carlinhos.
Assim que Carlos foi embora Camila se
levantou e pegou sua bolsa de couro bege.
— Mãe, o Pedro ta vindo pro Rio, ele
estava trabalhando em São Paulo, ele chega aqui daqui a mais ou menos uma
semana.
— Ta bem minha filha.
— Eu vou indo, também tenho que
trabalhar.
Mãe e filha se abraçaram, Camila tinha
medo de perder a mãe e os irmãos, por isso os protegia com a vida, sabia que ela
a melhor preparada para qualquer coisa.