Na manha seguinte estavam Siegahart e Drake
no quarto do garoto, Siegahart vestia uma camisa preta e shorts, Drake vestia
calça jeans e uma camisete branca. O quarto de Drake era um lugar agradável, a
cama de colcha cinza próxima à porta, ao seu lado a escrivaninha com o iMac
próximo a dobra da parede, ao lado haviam vários lápis e cadernos desenhados
pelo garoto. Acima do computador na parede contraria a porta havia uma estante
cheia de livros, mas não era a única, o quarto era cheio destas, com potes,
fotos, brinquedos antigos, e um despertador que não funcionava mais. Próximo à
janela estava o pequeno guarda roupas de Drake, ao seu lado uma mesinha debaixo
da janela, onde estava o Macbook Pro do garoto, dividindo espaço com cadernos
de desenho e alguns copos e pratos que ele sempre deixava ali depois de comer
algo quando desenhava.
Os garotos estavam separando os livros
da escola e brincando com alguns potes de líquido estranhos e coloridos, que
foram comprados para o novo ano escolar.
— Que será que a Dakota tem contra a
gente se divertir? — Perguntou Siegahart.
— Nada ela só quer se divertir do
jeito dela. Lendo livros na biblioteca municipal.
Os garotos caíram na risada depois do
comentário de Drake. Siegahart balançou a cabeça negativamente, e se levantou
para ir ao banheiro do quarto do amigo enquanto Drake colocava sobre a sua
escrivaninha os livros que seu pai havia comprado no dia anterior.
— Vamos pro clube?
Perguntou Drake.
— Quando?
— Agora, me deu vontade de nadar.
— Não vejo motivo bom o suficiente.
— A gente ta solteiro, esse é um bom
motivo para ir pro clube.
Siegahart saiu do banheiro fechando a
braguilha de seu jeans, e respondeu ao amigo que ainda estava próximo a janela
olhando o resto do bairro.
— Não é por que eu estou solteiro que
eu quero uma garota que eu posso conhecer no clube.
— Vamos logo cara!
Drake abriu o seu guarda roupas e
pegou uma mochila e sua sunga, enquanto o amigo ainda tentava entender o motivo
da vontade de Drake.
— Esta esperando que eu pegue a sua
sunga também?
Drake atirou uma sunga sobre
Siegahart, que se protegeu rapidamente, enquanto Drake estava rindo da
expressão do amigo.
Os garotos saíram do quarto de Drake
rindo e conversando. Ao se aproximarem da escada, Drake percebeu que a sala da
casa estava mais bagunçada do que o normal, deixou a mochila com o amigo e
desceu correndo com medo de algo ruim.
E ao chegar à sala viu seu pai com a
própria varinha enfiada por seu corpo, e muito sangue escorrendo pelo chão, mas
ainda vivo.
— Pai!
Gritou Drake preocupado com o estado
do pai.
— Drake, salve o mundo. Pegue meu
relógio, Sombra vai querer ele, você tem que proteger o tempo a todo custo.
Ninguém pode saber que você é o ‘Senhor do Tempo’.
—Aguenta mais um pouco, você não vai
precisar deixar nada comigo!
Mas qualquer coisa foi em vão, o pai
do garoto, usou suas ultimas forças para falar com o filho.
— Pegue meu relógio agora! Eu te amo.
Os olhos de Zatch se fecharam. Ele
então se foi.
— Drake pega o relógio dele, você
ouviu o que ele falou, a gente tem que falar com a Dakota, pra descobrirmos
quem é Sombra.
Drake que chorava ao lado do corpo do
pai, pegou o relógio e colocou em seu pulso enquanto Siegahart fora pegar a s
varinhas de ambos, que estavam no quarto de Drake, ao descer para saírem teve
que pegar o amigo quase que a força, e balançou a varinha, foram para a
biblioteca sumindo da sala da casa de Drake.
Ao chegarem à biblioteca Drake, que
ainda chorava, reconheceu apenas à amiga, que ao ver o estado do garoto, que
sempre fora tão sorridente e agora chorava pela primeira vez na frente dos
amigos, saiu em disparada para ajudá-lo.
— Que aconteceu?
— Mataram meu pai! Mataram ele!
A expressão de Dakota não podia ser
outra a não ser de susto.
— Vem comigo.
Após alguns minutos numa salinha da
biblioteca na qual apenas Dakota e algumas pessoas que trabalhavam na
biblioteca podiam entrar, Drake sentia-se melhor quando abraçado pela amiga,
que ainda tentava entender o que aconteceu na casa do garoto.
— Siegahart me explica de novo, com
calma.
— Nos estávamos saindo para irmos ao
clube para nadarmos um pouco, e quando chegamos próximos à escada ele viu o pai
dele... Morto.
Drake ao ouvir aquelas palavras voltou
a chorar.
— O pai dele falou alguma coisa?
— Falou sobre um tal de Sombra. —
Interrompeu Drake em meio a soluços — E aposto que esse Sombra que matou ele.
— Isso é impossível. — Disse uma
mulher de idade que usava roupas vermelhas e óculos meia lua, que era
responsável pelos empréstimos de livros, que acabara de entrar para pegar um
copo de água.
— Por quê?
Perguntou Drake.
— Sombra foi morto há duas décadas,
por um garoto.
— Quem era esse garoto?
— Zatch Oliveira Bell.
Os rostos dos três ao ouvirem o nome
do pai de Drake se tornaram assustados com tal noticia.
— A senhora tem certeza? – perguntou
Dakota.
Drake enxugou as lagrimas dos olhos,
se levantou com calma e curiosidade.
— O que a senhora sabe sobre Sombra?
— Pouco, ele foi um bruxo poderoso
aqui em Phlywood, nasceu aqui em Acordia, e chegou a destruir grande parte da
ilha quando ganhou poder, mas bem pouco tempo depois Zatch o matou.
— Drake, — Dakota se levantou do
pequeno sofá que ficava ao lado da mesa de alimentação dos funcionários. — você
não sabia disso?
A senhora se assustou ao saber que o
garoto que estava chorando era filho de Zatch, mas tentou não se mostrar
surpresa. Ela conhecia Zatch, e Drake era bem parecido com o pai.
— Não, nem fazia ideia, meu pai foi
sempre tão discreto quanto ao passado dele, e nunca me falou sobre Sombra.
— Não é de se estranhar que Zatch
fosse assim, quando o filho dele nasceu, quer dizer, você nasceu sua mãe morreu
por uma infecção pós-parto.
Drake não entendia por qual motivo o
pai não havia falado sobre tais coisas com ele, e porque todo o passado do pai
era tão obscuro e não sabia nada quanto a Sombra.
— Vamos embora.
Drake virou-se para os amigos, que se
levantaram e agradeceram a mulher e pediram desculpas pela falta de educação do
amigo, quando alcançaram o amigo ele já estava quase há um quarteirão e meio de
distancia, por isso tiveram de correr.
— Drake, escuta seu pai talvez não te falasse
de nada par não te deixar assustado.
— Dezesseis anos, cara eu tenho
dezesseis anos. Você me conhece, e ainda acha que eu ficaria assustado se ele
me falasse a verdade só uma vez?
— Mas ele falou, e você sabe.
Quando Siegahart falou aquilo Drake se
virou para ele e deu um soco no rosto do amigo.
— Você nem conhecia ele pra falar isso!
— Drake, calma!
— Da licença Dakota.
— Olha, eu sei que seu pai era um
homem bom, e não merece sua raiva por umas palavras que ele não falou!
Drake avançou em cima de Siegahart e
lhe deu outro soco na face, mas desta vez Siegahart revidou, e os garotos
começaram a brigar no meio da calçada rolando no chão, enquanto Dakota tentava
separá-los.
—Parem, agora! — Os garotos se
separaram quando a garota deu um chute em cada e ouviram Dakota cada um de um
lado da calçada separados pela garota — Vocês vão precisar respeitar um ao
outro, Drake você não pode descontar no seu melhor amigo! E Siegahart, você tem
que entender que o Drake esta muito abalado com tudo! Agora peçam desculpas, e
se limpem.
Os garotos apertaram as mãos, como
Dakota havia mandado e se limparam em seguida. Os três se dirigiram a uma praça
no centro da cidade, próxima aos correios e aos bancos, e se sentaram ainda
tentando decidir o que fariam. A praça era grande, no seu centro havia uma
fonte, com algumas palmeiras ao seu redor. A ilha era uma exceção total ao
clima comum da região onde ficava, pois apenas lá era possível cultivar como em
lugares de clima tropical, os dias normalmente eram gelados, como no outono,
mas ensolarados como na primavera, o que permitia que palmeiras crescessem ali,
o chão era todo de ladrilhos de pedra preta e branca, havia um belo coreto
situado a leste da fonte, e muitas pessoas circulavam por ali naquele dia.
— Que nos vamos fazer agora, nos não
podemos voltar pra minha casa, e eu ainda sou menor de idade.
— A gente resolve de algum jeito.
Os três fizeram silencio por alguns
segundo.
— Posso te fazer um pergunta Drake?
— Fala.
— O que seu pai falou antes de morrer?
A pergunta de Dakota fez com que o
garoto se lembrasse do momento em que encontrou o pai morto chão.
— Me mandou pegar seu relógio, tomasse
cuidado, e que ninguém deveria saber que eu sou o ‘Senhor do Tempo’, mas eu não
entendi nada.
— Pra falar a verdade nem eu entendi
nada do que o seu pai disse.
As palavras de Siegahart ecoaram na
mente de Drake, que observava quatro crianças brincarem com gravetos como se
fossem varinhas, em um duelo, Drake se lembrou do dia em que entrou na escola
de magia pela primeira vez, e sentiu-se parte de algo importante.
— Foi seu pai Drake que preparou tudo
para que você pudesse ser um garoto normal, e também pudesse derrotar Sombra
quando necessário, você só não percebeu isso.
— Eu sei Dakota, mas ele pelo menos
podia me contar um pouco mais sobre o passado dele.
Quando Drake terminou de falar foi
como num impulso, o céu mudou de cor, uma chuva fina caia, fazendo com que mães
e crianças corressem para se proteger, o vento começou a chacoalhar as arvores
ao redor, assim que a água tocou o rosto de Drake, o garoto se sentiu bem
novamente.
— Vamos. Eu tenho que pegar umas
coisas em casa. E eu também tenho que ligar pra funerária resolver o velório do
meu pai.