23.10.14

Fast Text - Sobre Sonhos.

Acordava Pedro, novamente em sua cela de madeira e aço inoxidável. 
Novamente sonhara que andava ao lado de sua mãe. Onde estava sua mãe? Ele gritou. Assustado e com fome. Pela porta do recinto onde a prisão fica, entra uma mulher.Não, não é uma mulher, apenas uma garotinha. Deve ter seus quatro ou cinco anos de idade. 
A menina clama por sua mãe. Dizendo que o rapaz engaiolado parece ter fome. 
E finalmente ela chega. Tira Pedro de seu berço, e o amamenta.
E aos poucos, junto do corpo quente de sua mãe, ele volta aos sonhos.

Crônica - Beijo de Cinema.

Sento-me ao lado dele. O cinema está escuro, mas posso vê-lo ainda assim, e ele sorri pra mim. Quando a imagem começa a se mover na tela, minhas bochechas coram, e eu agradeço por estar escuro, mas sei que ele pode sentir o calor nos meus dedos aumentando. E pronto, lá estou eu, ao lado dele, sentada numa sala escura e quase vazia vendo não em lembro que filme romântico da vez, peloa terceira vez. É como se tentar duas vezes antes não fosse o suficiente para entender que não seria tão simples o meu primeiro beijo.
Na primeira vez, o cinema teve uma falta de energia logo quando íamos nos beijar. 
Na segunda. não houve lugar pra sentarmos juntos.
Agora, quando finalmente temos a chance perfeita, eu me sinto doente. Ah! E muito doente. O filme começa e se desenrola. Finalmente chega a cena em que nos beijaríamos, a menina na tela, sentada na cama, olhando para o mocinho do filme. As luzinhas na cabeCeira dão um toque romântico à cena. Eu percebo que sua mão está gelada, tanto quanto a minha, e finalmente, nos olhamos, eu recuo, e me deito sobre seus ombros. O mais delicadamente o possível. E sinto seu peito subir e descer, o seu coração acelerado batendo forte, e mais forte ainda, o cheiro do seu perfume.
Decido olhar para cima, e o vejo olhando para a frente, quando percebe que estou o olhando ele baixa a cabeça para me beijar. Mas os créditos do filme começam, e o cinema fica mais vazio ainda mais solitário. E antes que finalmente tenhamos a chance real, as luzes acendem e o lanterninha pede para que nos retiremos.

17.10.14

Crônica - Histórias da Cidade

Pense numa garota comum. Com seus talvez dezesseis anos.
Ela entra na livraria, procura incessantemente por alguns títulos e se dirige ao caixa. Espera-se que ela pague pelos títulos, ou faça alguma pergunta antes de finalizar a compra.
Logo depois dela, entra um garoto e sua namorada.
Nada de estranho até então. Mas percebe-se que o garoto e a menina no caixa são ex-namorados. Um tanto quanto inesperado.Mas logo em seguida entra mais um homem que se perde em meio às estantes, e também uma mulher que vai de encontro ao caixa, para poder saber sobre vale-presentes.
Forma-se um tumulto. A garota e o garoto conversando, e a atual namorada do garoto estapeia a ex. O homem perdido entre as prateleiras, aparece com uma arma apontada para todos. E a caixa que ao mesmo tempo que tenta atender à todos, grita e se desfaz já com a garganta inflamada.
Um dia um tanto quanto normal para qualquer um. Principalmente se nesse dia, um carro em alta velocidade acaba perdendo o controle e entra na livraria, derrubando tudo até a metade da loja mas sem atingir ninguém.
E no fim das contas o que todos falarão é do quão sortudos eles ão por não terem sido atingidos pelo carro, e que os danos foram apenas materiais.

Mas a história perde-se, por que o homem com a arma não é mais relevante. A intriga entre os ex-namorados, menos ainda. E o vale-presente da mulher se torna só um pedaço de papel, assim como a garganta da atendente melhora em alguns dias.
Mas todos se lembrarão do quão sortudos os sete envolvidos no acidente são, de no fim das contas terem sobrevivido.

7.10.14

Corpos Quentes - Contos de suspense/Thriller

Acordo com meu gato Felix sobre minhas pernas, pedindo por comida.
Não era sexta-feira ainda, mas na noite anterior já havia ido à uma festa. Me levanto ainda de cueca e camisa, tentando acordar completamente enquanto passo pela porta do meu quarto, que como sempre ficara meio aberta. Atrás de mim, Feliz parece alegre, até mesmo animado com a comida que está por chegar.
O barulho que a cidade tem ao fundo, se mistura com o silêncio do apartamento, o que me deixa confortável o suficiente para poder me esquecer da dor de cabeça que a ressaca deixou.

Já na cozinha, eu abro a geladeira despreocupado com tudo, pego o leite, e na bancada preta ao lado vejo que a faca que usei ontem ainda está suja. Deixo a garrafa sobre o balcão, e vou buscar minha xícara de café. No caminho já ligo a cafeteira.
Me sento ao balcão da cozinha, olhando para a sala de casa, e vejo que há alguém deitado no sofá. Termino meu café com leite silenciosamente, e só então me lembro que Felix espera por sua ração diária.
Espero então sentado à minha poltrona na sala. Felix termina de comer, e vem rapidamente esfregar-se entre as minhas pernas. Seus pelos roçam contra os pelos da minha perna. Eu finalmente paro de brincar com os cachos do meu cabelo, e percebo que meu dedo está sujo de algo vermelho.
Minha camisa também está manchada, mas com algo marrom na maior parte dela.
Felix sobe no meu colo, e se arruma para dormir sobre mim. E estranhamente seu calor esquenta mais que minha pele, e sinto meu membro enrijecer-se. Olho então para meu sofá, e vejo Patrícia deitada, assim como ficara ontem à noite.
Me levanto, derrubando Felix no chão. Puxo minha camisa por cima da minha cabeça, e me aproximo del seu corpo. E quando chego à meio metro dela, tiro minha cueca.
Sua pele fria, e rígida me lembra do que acontecera na noite anterior. Da festa onde nos conhecemos, e como no fim da noite ela foi à minha casa e tivemos algumas horas de brincadeiras, e no chuveiro, ao invés de um banho, cortei sua garganta.
Meu membro entra e sai dela e isso me excita cada vez mais.
Finalmente chego ao orgasmo, e desfaleço sobre o corpo dela. Ah, seu corpo, tão belo e tão bem desenhado pela natureza.

A única coisa que me incomoda é saber que em alguns dias terei que me desfazer dela. Saber que assim como não foi a primeira, menos ainda será a ultima.