17.10.14

Crônica - Histórias da Cidade

Pense numa garota comum. Com seus talvez dezesseis anos.
Ela entra na livraria, procura incessantemente por alguns títulos e se dirige ao caixa. Espera-se que ela pague pelos títulos, ou faça alguma pergunta antes de finalizar a compra.
Logo depois dela, entra um garoto e sua namorada.
Nada de estranho até então. Mas percebe-se que o garoto e a menina no caixa são ex-namorados. Um tanto quanto inesperado.Mas logo em seguida entra mais um homem que se perde em meio às estantes, e também uma mulher que vai de encontro ao caixa, para poder saber sobre vale-presentes.
Forma-se um tumulto. A garota e o garoto conversando, e a atual namorada do garoto estapeia a ex. O homem perdido entre as prateleiras, aparece com uma arma apontada para todos. E a caixa que ao mesmo tempo que tenta atender à todos, grita e se desfaz já com a garganta inflamada.
Um dia um tanto quanto normal para qualquer um. Principalmente se nesse dia, um carro em alta velocidade acaba perdendo o controle e entra na livraria, derrubando tudo até a metade da loja mas sem atingir ninguém.
E no fim das contas o que todos falarão é do quão sortudos eles ão por não terem sido atingidos pelo carro, e que os danos foram apenas materiais.

Mas a história perde-se, por que o homem com a arma não é mais relevante. A intriga entre os ex-namorados, menos ainda. E o vale-presente da mulher se torna só um pedaço de papel, assim como a garganta da atendente melhora em alguns dias.
Mas todos se lembrarão do quão sortudos os sete envolvidos no acidente são, de no fim das contas terem sobrevivido.