23.10.14

Crônica - Beijo de Cinema.

Sento-me ao lado dele. O cinema está escuro, mas posso vê-lo ainda assim, e ele sorri pra mim. Quando a imagem começa a se mover na tela, minhas bochechas coram, e eu agradeço por estar escuro, mas sei que ele pode sentir o calor nos meus dedos aumentando. E pronto, lá estou eu, ao lado dele, sentada numa sala escura e quase vazia vendo não em lembro que filme romântico da vez, peloa terceira vez. É como se tentar duas vezes antes não fosse o suficiente para entender que não seria tão simples o meu primeiro beijo.
Na primeira vez, o cinema teve uma falta de energia logo quando íamos nos beijar. 
Na segunda. não houve lugar pra sentarmos juntos.
Agora, quando finalmente temos a chance perfeita, eu me sinto doente. Ah! E muito doente. O filme começa e se desenrola. Finalmente chega a cena em que nos beijaríamos, a menina na tela, sentada na cama, olhando para o mocinho do filme. As luzinhas na cabeCeira dão um toque romântico à cena. Eu percebo que sua mão está gelada, tanto quanto a minha, e finalmente, nos olhamos, eu recuo, e me deito sobre seus ombros. O mais delicadamente o possível. E sinto seu peito subir e descer, o seu coração acelerado batendo forte, e mais forte ainda, o cheiro do seu perfume.
Decido olhar para cima, e o vejo olhando para a frente, quando percebe que estou o olhando ele baixa a cabeça para me beijar. Mas os créditos do filme começam, e o cinema fica mais vazio ainda mais solitário. E antes que finalmente tenhamos a chance real, as luzes acendem e o lanterninha pede para que nos retiremos.