28.10.12

Terceira Parte - Uma Morte, Uma Briga, Um Amigo & Muitos Motivos


Na manha seguinte estavam Siegahart e Drake no quarto do garoto, Siegahart vestia uma camisa preta e shorts, Drake vestia calça jeans e uma camisete branca. O quarto de Drake era um lugar agradável, a cama de colcha cinza próxima à porta, ao seu lado a escrivaninha com o iMac próximo a dobra da parede, ao lado haviam vários lápis e cadernos desenhados pelo garoto. Acima do computador na parede contraria a porta havia uma estante cheia de livros, mas não era a única, o quarto era cheio destas, com potes, fotos, brinquedos antigos, e um despertador que não funcionava mais. Próximo à janela estava o pequeno guarda roupas de Drake, ao seu lado uma mesinha debaixo da janela, onde estava o Macbook Pro do garoto, dividindo espaço com cadernos de desenho e alguns copos e pratos que ele sempre deixava ali depois de comer algo quando desenhava.
Os garotos estavam separando os livros da escola e brincando com alguns potes de líquido estranhos e coloridos, que foram comprados para o novo ano escolar.
— Que será que a Dakota tem contra a gente se divertir? — Perguntou Siegahart.
— Nada ela só quer se divertir do jeito dela. Lendo livros na biblioteca municipal.
Os garotos caíram na risada depois do comentário de Drake. Siegahart balançou a cabeça negativamente, e se levantou para ir ao banheiro do quarto do amigo enquanto Drake colocava sobre a sua escrivaninha os livros que seu pai havia comprado no dia anterior.
— Vamos pro clube?
Perguntou Drake.
— Quando?
— Agora, me deu vontade de nadar.
— Não vejo motivo bom o suficiente.
— A gente ta solteiro, esse é um bom motivo para ir pro clube.
Siegahart saiu do banheiro fechando a braguilha de seu jeans, e respondeu ao amigo que ainda estava próximo a janela olhando o resto do bairro.
— Não é por que eu estou solteiro que eu quero uma garota que eu posso conhecer no clube.
— Vamos logo cara!
Drake abriu o seu guarda roupas e pegou uma mochila e sua sunga, enquanto o amigo ainda tentava entender o motivo da vontade de Drake.
— Esta esperando que eu pegue a sua sunga também?
Drake atirou uma sunga sobre Siegahart, que se protegeu rapidamente, enquanto Drake estava rindo da expressão do amigo.
Os garotos saíram do quarto de Drake rindo e conversando. Ao se aproximarem da escada, Drake percebeu que a sala da casa estava mais bagunçada do que o normal, deixou a mochila com o amigo e desceu correndo com medo de algo ruim.
E ao chegar à sala viu seu pai com a própria varinha enfiada por seu corpo, e muito sangue escorrendo pelo chão, mas ainda vivo.
— Pai!
Gritou Drake preocupado com o estado do pai.
— Drake, salve o mundo. Pegue meu relógio, Sombra vai querer ele, você tem que proteger o tempo a todo custo. Ninguém pode saber que você é o ‘Senhor do Tempo’.
—Aguenta mais um pouco, você não vai precisar deixar nada comigo!
Mas qualquer coisa foi em vão, o pai do garoto, usou suas ultimas forças para falar com o filho.
— Pegue meu relógio agora! Eu te amo.
Os olhos de Zatch se fecharam. Ele então se foi.
— Drake pega o relógio dele, você ouviu o que ele falou, a gente tem que falar com a Dakota, pra descobrirmos quem é Sombra.
Drake que chorava ao lado do corpo do pai, pegou o relógio e colocou em seu pulso enquanto Siegahart fora pegar a s varinhas de ambos, que estavam no quarto de Drake, ao descer para saírem teve que pegar o amigo quase que a força, e balançou a varinha, foram para a biblioteca sumindo da sala da casa de Drake.


Ao chegarem à biblioteca Drake, que ainda chorava, reconheceu apenas à amiga, que ao ver o estado do garoto, que sempre fora tão sorridente e agora chorava pela primeira vez na frente dos amigos, saiu em disparada para ajudá-lo.
— Que aconteceu?
— Mataram meu pai! Mataram ele!
A expressão de Dakota não podia ser outra a não ser de susto.
— Vem comigo.


Após alguns minutos numa salinha da biblioteca na qual apenas Dakota e algumas pessoas que trabalhavam na biblioteca podiam entrar, Drake sentia-se melhor quando abraçado pela amiga, que ainda tentava entender o que aconteceu na casa do garoto.
— Siegahart me explica de novo, com calma.
— Nos estávamos saindo para irmos ao clube para nadarmos um pouco, e quando chegamos próximos à escada ele viu o pai dele... Morto.
Drake ao ouvir aquelas palavras voltou a chorar.
— O pai dele falou alguma coisa?
— Falou sobre um tal de Sombra. — Interrompeu Drake em meio a soluços — E aposto que esse Sombra que matou ele.
— Isso é impossível. — Disse uma mulher de idade que usava roupas vermelhas e óculos meia lua, que era responsável pelos empréstimos de livros, que acabara de entrar para pegar um copo de água.
— Por quê?
Perguntou Drake.
— Sombra foi morto há duas décadas, por um garoto.
— Quem era esse garoto?
— Zatch Oliveira Bell.
Os rostos dos três ao ouvirem o nome do pai de Drake se tornaram assustados com tal noticia.
— A senhora tem certeza? – perguntou Dakota.
Drake enxugou as lagrimas dos olhos, se levantou com calma e curiosidade.
— O que a senhora sabe sobre Sombra?
— Pouco, ele foi um bruxo poderoso aqui em Phlywood, nasceu aqui em Acordia, e chegou a destruir grande parte da ilha quando ganhou poder, mas bem pouco tempo depois Zatch o matou.
— Drake, — Dakota se levantou do pequeno sofá que ficava ao lado da mesa de alimentação dos funcionários. — você não sabia disso?
A senhora se assustou ao saber que o garoto que estava chorando era filho de Zatch, mas tentou não se mostrar surpresa. Ela conhecia Zatch, e Drake era bem parecido com o pai.
— Não, nem fazia ideia, meu pai foi sempre tão discreto quanto ao passado dele, e nunca me falou sobre Sombra.
— Não é de se estranhar que Zatch fosse assim, quando o filho dele nasceu, quer dizer, você nasceu sua mãe morreu por uma infecção pós-parto.
Drake não entendia por qual motivo o pai não havia falado sobre tais coisas com ele, e porque todo o passado do pai era tão obscuro e não sabia nada quanto a Sombra.
— Vamos embora.
Drake virou-se para os amigos, que se levantaram e agradeceram a mulher e pediram desculpas pela falta de educação do amigo, quando alcançaram o amigo ele já estava quase há um quarteirão e meio de distancia, por isso tiveram de correr.
— Drake, escuta seu pai talvez não te falasse de nada par não te deixar assustado.
— Dezesseis anos, cara eu tenho dezesseis anos. Você me conhece, e ainda acha que eu ficaria assustado se ele me falasse a verdade só uma vez?
— Mas ele falou, e você sabe.
Quando Siegahart falou aquilo Drake se virou para ele e deu um soco no rosto do amigo.
— Você nem conhecia ele pra falar isso!
— Drake, calma!
— Da licença Dakota.
— Olha, eu sei que seu pai era um homem bom, e não merece sua raiva por umas palavras que ele não falou!
Drake avançou em cima de Siegahart e lhe deu outro soco na face, mas desta vez Siegahart revidou, e os garotos começaram a brigar no meio da calçada rolando no chão, enquanto Dakota tentava separá-los.
—Parem, agora! — Os garotos se separaram quando a garota deu um chute em cada e ouviram Dakota cada um de um lado da calçada separados pela garota — Vocês vão precisar respeitar um ao outro, Drake você não pode descontar no seu melhor amigo! E Siegahart, você tem que entender que o Drake esta muito abalado com tudo! Agora peçam desculpas, e se limpem.
Os garotos apertaram as mãos, como Dakota havia mandado e se limparam em seguida. Os três se dirigiram a uma praça no centro da cidade, próxima aos correios e aos bancos, e se sentaram ainda tentando decidir o que fariam. A praça era grande, no seu centro havia uma fonte, com algumas palmeiras ao seu redor. A ilha era uma exceção total ao clima comum da região onde ficava, pois apenas lá era possível cultivar como em lugares de clima tropical, os dias normalmente eram gelados, como no outono, mas ensolarados como na primavera, o que permitia que palmeiras crescessem ali, o chão era todo de ladrilhos de pedra preta e branca, havia um belo coreto situado a leste da fonte, e muitas pessoas circulavam por ali naquele dia.
— Que nos vamos fazer agora, nos não podemos voltar pra minha casa, e eu ainda sou menor de idade.
— A gente resolve de algum jeito.
Os três fizeram silencio por alguns segundo.
— Posso te fazer um pergunta Drake?
— Fala.
— O que seu pai falou antes de morrer?
A pergunta de Dakota fez com que o garoto se lembrasse do momento em que encontrou o pai morto chão.
— Me mandou pegar seu relógio, tomasse cuidado, e que ninguém deveria saber que eu sou o ‘Senhor do Tempo’, mas eu não entendi nada.
— Pra falar a verdade nem eu entendi nada do que o seu pai disse.
As palavras de Siegahart ecoaram na mente de Drake, que observava quatro crianças brincarem com gravetos como se fossem varinhas, em um duelo, Drake se lembrou do dia em que entrou na escola de magia pela primeira vez, e sentiu-se parte de algo importante.
— Foi seu pai Drake que preparou tudo para que você pudesse ser um garoto normal, e também pudesse derrotar Sombra quando necessário, você só não percebeu isso.
— Eu sei Dakota, mas ele pelo menos podia me contar um pouco mais sobre o passado dele.
Quando Drake terminou de falar foi como num impulso, o céu mudou de cor, uma chuva fina caia, fazendo com que mães e crianças corressem para se proteger, o vento começou a chacoalhar as arvores ao redor, assim que a água tocou o rosto de Drake, o garoto se sentiu bem novamente.
— Vamos. Eu tenho que pegar umas coisas em casa. E eu também tenho que ligar pra funerária resolver o velório do meu pai.