2.10.12

Segunda Parte - A Rua das Lojas


Uma coruja cinza, grande, que planava sobre a torre da igreja no centro da cidade, fixou os olhos num garoto alto de cabelos castanhos e moletom vermelho, que passava de um lado a outro da pequena praça da igreja, da qual se ouvia o sino tocar no alto da torre em que a coruja havia pousado. Acabara de dar meio dia, os portões do colégio que fica ao lado da igreja se abriram e muitos adolescentes saíram correndo, mas o garoto de moletom vermelho nem se abalou com as pessoas, e se dirigia até duas árvores que ficavam próximas à esquina da praça, sem olhar para os lados, seguido pela coruja atravessou o pequeno espaço e desapareceu.
A praça mudara em frente aos olhos do garoto, mas também as ruas e o próprio garoto, que agora vestia um, sobretudo vermelho surrado pelo tempo, e a coruja continuou a voar em direção a algum lugar próximo, o garoto entrou em uma loja e a coruja continuou a planar.
Na loja em que o garoto entrou a vitrine parecia um circo com tantas criaturinhas coloridas, que pulavam para todos os lados dentro da gaiola gigante, a loja era cheia de gente de todos os tipos e idades, que se divertiam num espaço tão pequeno, quanto uma cozinha.
Próximos a uma estante estavam uma garota e dois garotos, um loiro, alto com olhos castanhos e uma roupa muito comum, jeans escuro e camisa preta, que pegava um embrulho pequeno de cor amarela, com um rotulo em vermelho. A garota de altura mediana, cabelos volumosos encaracolados castanhos vestia uma camisa simples rosa com alguns detalhes em prateado e calça justa a suas pernas, que segurava a mão do amigo de cabelos loiros.
— Drake você tem de comprar seus livros ainda.
— Dakota, me deixa!
— Deixa ele Dakota. Se não eu também compro alguma coisa.
O garoto se aproximou da prateleira e pegou outro tipo de embrulho ameaçando a amiga.
— Vai pagar Drake.
O rosto da garota ficou vermelho de raiva, e os garotos riam da vitória contra Dakota.
Quando voltaram encontraram a garota na porta esperando pelos dois, ainda de cara amarrada e muito brava com eles.
— Vocês não precisam me procurar depois, eu não vou ajudar vocês a comprarem seus livros.
—Para sua informação Dakota, meu pai esta comprando meus livros e do Siegahart.
— Inacreditável como vocês são preguiçosos!
—Preguiçosos não, nos aproveitamos à situação para nos darmos bem.
Drake apontou par um homem bem vestido com um terno uma pasta e livros sobre a mesma, que estava sobre os braços do homem. Drake e seus amigos correram ate o homem e assim que chegaram
próximos a ele, desapareceram em meio à multidão, mas sem saírem do lugar, com numa explosão de luz rápida que para os presentes não era nada de mais.
Os quatro apareceram em frente a uma casa com um portão grande e suntuoso de cor branca, e muros verdes, o sobrado era uma casa comum para o bairro em que Drake vivia na cidade de Acordia. Um bairro de classe alta, em que quase todas as casas eram sobradas, com janelas imensas de vidro, e portas grandes e trabalhadas pelo artesão da cidade, uma a uma, com um amor, que se via traduzido nas portas de madeira envernizada, em meio a jardins simples e pequenos, alguns com flores comuns, outros, apenas com alguns arbustos pequenos e alguns Elfos de jardim bem pequenos, que andavam por suas casinhas em miniatura, localizadas nos jardins, em lugares bem a mostra, o que mostrava que as pessoas aceitavam tal infestação, pois os pequenos moradores cuidavam das plantas que estavam ao seu redor. Dakota e Siegahart se viraram para o homem, que era Zatch, agora mais velho, o garoto que havia destruído Sombra, em uma batalha importante, mas discreta, pegaram seus livros com ele, agradeceram.
— Que você vai fazer amanhã cara?
— Sei lá, mas passa ai, vou ficar o dia todo de bobeira, você vem Dakota?
— Não posso, já marquei um compromisso.
Enquanto os jovens decidiam o que fariam no dia seguinte, Zatch, ainda com o mesmo olhar curioso de quando tinha dezesseis anos, abriu o portão da casa verde e entrou em direção à sala.
— Já vou indo, até amanhã e boa noite pra vocês.
A garota virou-se de costa e foi em direção a sua casa no outro lado da rua, cantarolando algo indecifrável.
Dakota entrou na sua casa e os garotos se despediram com um simples tchau. Drake se virou para sua casa, entrou pelo portão que se fechou assim que o garoto passou. Foi em direção à porta da casa, entrou e encontrou a sala como sempre estava com seus sofás amarelos e verdes, sua mesa de centro cheia de livros com o jogo de xadrez dividindo o espaço com livros amontoados, as paredes eram rosa claro, e a janela com suas cortinas brancas leves. Da sala via-se a cozinha e o balcão do bar cheio de copos limpos sobre uma bandeja prateada, com algumas garrafas ao lado, a cozinha simples com um aquário grande sobre a bancada, e a sala de jantar com sua mesa de vidro e as cadeiras brancas, com alguns quadros na parede. O garoto foi em direção à cozinha e abriu a geladeira para comer alguns pedaços de chocolate, que estavam num pequeno pote de vidro, virou-se novamente para a sala, e subiu pela escada em direção a seu quarto, onde seu pai havia deixado seus livros de escola, sentou-se e começou a folheá-los.